Tarefa proposta: Baseado nas discussões de McLuhan e Pereira (textos no xerox e na pastanet), faça uma análise do portal Globo.com, que passou nessa semana por mais uma ampla reforma visual. (…)
Começo reconhecendo alguns conceitos presentes no artigo, “Os meios de comunicação como extensões do homem“, de Marshall Mcluhan, pois é de fundamental valia, para depois traçar uma relação interpretativa da mudança ocorrida no portal globo.com, bem como, a possível adoção de um “manual estético”, com definições de mensagem, que está, também, intimamente ligada à transformação do meio, como a teoria nos explica.
Uma confusão nas delimitações de conceitos percebi quando li o texto pela primeira vez. Para mim, aquele clássico diagrama um tanto fragmentado – mensagem-meio-receptor – era imbativél. O estudo das “técnicas” da mensagem passavam em longe de definições do meio. Por isso, a máxima meio é mensagem de Mcluhan, é no mínimo estranha pra mim.
Mas com calma vou catando alguns fundamentos num segundo texto, de apoio, onde vejo uma noção mais didática: As tecnologias da comunicação como grámaticas, de Vinícius Pereira. Nele o autor propoe uma explicação mais detalhada, e uma das definições essenciais para compreesão da trama sincrética do diagrama mensagem-meio de Mcluhan. Pereira diz: “Tomando um meio como extensão tencnológica se cria um meio ambiente que por sua vez funciona como um texto com uma gramática própria”. Da para se dizer que transformações no meio técnológico, (no caso a World Wide Web) intimamente interferem na composição da mensagem, porque é a sobre esse novo texto, e sobre sua gramática própria, que vou criar e aplicar censo crítico; ou até mesmo ser afetado por subjetividades que passam desapercebidas para um simples leitor. Junto disso, as técnicas que se referem a mensagem só podem estar na realidade construindo, ou “remodelando” um meio, esse meio, e assim criando sentido. Fica claro, e depois aprofundaremos mais, que a mudança na diagramação de um site, ou até a mudança da cor de um título, nos dizem coisas diferentes em termos de mensagem. Essas mudanças são possíveis graças a interpretação da linguagem – jornalismo-informática-internet – e a capacidade de manipulação dos que criam esse novo portal, no caso.
Temos um outro exemplo, e este me lembro da aula, sobre as epopéias narradas pelo poeta Homero. Como elas chegaram aos nossos dias, intactas e com tanta relevância, está, talvez, mais ligado a sua “estrutura”, no sentido da forma, do que pelo seu conteúdo propriamente dito. Não quero aqui julgar se houve ou não prodígio poético na sua constituição, o que na minha opinião houve de fato, mas não é apenas isso. Essa forma de versos e rimas (lembra do cursinho, da rima decassílada de Camões?) imprimem um sentimento maior, uma eficiência por assim dizer. Passam, assim, indubitavelmente a agir sobre a composição da mensagem. Portanto julgar a produção da menssagem é nada mais, nada menos, do que lidar também, com essas “possibilidades” do meio.
Ora, não passamos longe do que diz Pereira em outra passagem: “Técnologia funciona como uma linguagem que trata e condiciona novos padrões cognitivos e perceptuais”. Esse meio que analizo (www) é quem fornece essa linguagem. Assim como para o grego (ou para o lusitano) o barato está nas “possibilidades perceptuais trazidas por novos modelos de extensões”. Bom, a técnologia é quem sempre vai atuar no papel principal destas novas possibilidades que constituem um meio. Sendo por apropriação da linguagem de outros meios ou simplesmente por avanços de ferramentas restritas. Já poderíamos a partir de agora identificar no portal globo.com algumas inovações.
Quais seriam essas mudanças do portal globo.com, em relação ao que era antes, mantendo o foco na produção de sentido? Não sei por onde começar, mas vou tentar o caminho mais fácil. Primeiro o layout. Pela primeira vez eu vi um site que “impõe” um limite, como na capa de uma revista. Como assim? Ora, quando abrimos o site e não utilizamos a barra de rolagem (ou qualquer outro scroll) temos um banner publicitário delimitando a visualização do site. Naquele espaço estão as chamadas mais importantes. Isso só é possível porque hoje temos resoluções de vídeo capazes para se fazer isso. Uma pesquisa não muito complicada nos traçaria um perfil de qual a mais recomendada para os dias de hoje. Tambem o melhor ou mais popular navegador para visualisar um site. Na minha época onde a resolução 800×600px era luxo pra qualquer 386 que se preze, seria impossível isso. Agora é o que peculiarmente lhe é permitido fazer, dentre outras coisas, graças a “apropriação ” de avanços técnológicos do meio. Essa margem, estilo capa de revista, nos dá uma noção maior, nos é mais agradável à leitura, pois quando existem limites definidos parece que aos poucos há uma tendencia de organizar melhor e de maneira mais eficiente as coisas.
(falta…)